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Você muito provavelmente assistiu e, caso não tenha visto, com certeza ouviu falar no documentário “O Dilema das Redes”. Lançado na Netflix, o filme de Jeff Orlowski analisa o papel das redes sociais e suas consequências para a sociedade.

 

Não queremos dar spoilers (vai que você não assistiu 👀), mas O Dilema das Redes aponta que as plataformas podem ter um efeito devastador sobre as democracias e, pior, a humanidade. O lançamento do filme chamou a atenção e causou certo alvoroço nas pessoas, que passaram a discutir o assunto. Diante disso, o Facebook resolveu se posicionar. 

Abaixo você encontra um resumo do que o Facebook pensa sobre O Dilema das Redes

O que o Facebook pensa sobre O Dilema das Redes

Se precisássemos resumir a opinião do Facebook sobre O Dilema das Redes em uma palavra, seria: “sensacionalista”. Isso porque a empresa de fato usou essa palavra em sua resposta ao filme.

 

Em uma publicação no blog, o Facebook rebateu as acusações do documentário. Nela, o FB não nega a necessidade de se debater o impacto das redes sociais na vida das pessoas, mas lista 7 pontos que o documentário “entendeu errado”. 

 

“Em vez de oferecer um olhar diferenciado sobre a tecnologia, o filme cria uma visão distorcida sobre como plataformas de redes sociais funcionam para criar uma fuga conveniente daquilo que são problemas sociais difíceis e complexos” – Facebook

 

No documento publicado pelo Facebook como resposta ao documentário O Dilema das Redes, a empresa fala sobre os seguintes pontos abordados no filme:

  • Vício
  • Você não é o produto
  • Algoritmos
  • Dados
  • Polarização
  • Eleições
  • Desinformação

 

Ufa! Só pela lista dá para ver que os assuntos não são leves. Vamos ao resumo:

Vício

O Facebook cria seus produtos para gerar valor, não vício

 

Segundo o Facebook, o objetivo não é criar funcionalidades para fazer com que as pessoas passem mais tempo nos aplicativos, mas oferecer algo de valor para os usuários. 

 

Como exemplo, o FB cita a mudança do feed de notícias em 2018. Na época, a rede social anunciou que passou a priorizar interações significativas e não mais vídeos virais, por exemplo – o que fez com que as pessoas passassem 50 milhões de horas a menos no aplicativo.

 

A empresa também aponta que oferece ferramentas de controle de tempo e limitação de notificações, além de trabalhar com especialistas em saúde mental.

Você não é o produto

O Facebook é custeado por propagandas, por isso permanece sendo grátis para as pessoas

 

Sabe aquela frase “Se é de graça, o produto é você”? É justamente ela que o Facebook busca combater no seu segundo ponto. A empresa aponta que seu modelo de negócios permite que pequenos negócios e empreendedores cresçam e possam competir com marcas maiores ao atingir novos consumidores por meio dos anúncios.

 

Outra justificativa utilizada é de que nenhum dado que identifique de fato as pessoas é compartilhado com os anunciantes – os relatórios apenas mostram que tipo de pessoas estão vendo os anúncios e como eles estão performando.

 

Para finalizar, o Facebook lembra que é possível ver os “interesses” atribuídos a você e removê-los.

Algoritmos

O algoritmo do Facebook não é “louco”. Ele mantém a plataforma relevante e útil

 

A empresa afirma que seu algoritmo melhora a experiências das pessoas na rede social, assim como acontece com outros aplicativos como Amazon, Uber, Netflix e apps de namoro, todos utilizados diariamente pelas pessoas.

 

Nessa parte, o Facebook inclusive cita que a Netflix usou seu algoritmo para recomendar o documentário O Dilema das Redes para os usuários.

 

Para fortalecer o ponto de que não há nada maluco por trás dos algoritmos, o Facebook colocou um thumbnail de vídeo para levar as pessoas a um blog post explicando como funciona o feed de notícias da rede social.

Dados

O Facebook fez melhorias na empresa para proteger a privacidade das pessoas

 

O Facebook cita seu acordo com a FTC (a agência federal de proteção ao consumidor dos EUA) para dizer que trabalha com proteção de dados e dá controle de privacidade aos usuários.

 

Eles afirmam que, ao contrário do que O Dilema das Redes sugere, há políticas que proíbem que as empresas enviem dados sensíveis sobre as pessoas, como informações de saúde ou o número de documentos pessoais.

Polarização

Nós tomamos medidas para reduzir conteúdos que poderiam levar à polarização 

 

O Facebook afirma que a polarização e o populismo existiam antes da rede social e outras plataformas serem criadas e que trabalha para evitar que conteúdos desse tipo se espalhem.

 

De acordo com a empresa, a maior parte do conteúdo existente são coisas do dia a dia de amigos e familiares, e não conteúdos polarizantes ou sequer políticos. O FB ainda diz que, apesar de conteúdos polarizantes terem muitas interações, likes e comentários, esse conteúdo representa uma porcentagem pequena do que as pessoas veem na rede social.

Eleições

O Facebook fez investimentos para proteger a integridade das eleições

 

No texto, o Facebook admite que cometeu erros nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, mas afirma que O Dilema das Redes deixa de fora do filme os esforços da empresa para evitar que as pessoas usem a rede social para interferir nesse processo.

 

Para exemplificar o que foi feito desde então, a empresa cita a remoção de mais de 100 redes de comportamento inautêntico em nível mundial, a criação da Biblioteca de Anúncios e a categorização de anúncios políticos, além das políticas em relação às eleições e seus resultados.

Desinformação

Nós combatemos fake news, desinformação e conteúdos prejudicial usando uma rede global de parceiros checadores de notícias

 

De acordo com o Facebook, a ideia passada pelo filme O Dilema das Redes de que a plataforma permite que a desinformação se espalhe pela rede social ou de que eles se beneficiam disso é errada. 

 

A empresa cita sua rede de checagem de notícias e a quantidade de discursos de ódio removidos da plataforma – 22 milhões no segundo semestre de 2020. 

A conclusão do Facebook sobre O Dilema das Redes

Para o Facebook, os criadores do filme O Dilema das Redes não incluíram o ponto de vista de atuais funcionários das redes sociais ou mesmo especialistas que tenham uma visão diferente da apresentada no filme. Além disso, a empresa também critica o fato de o documentário não reconhecer os esforços da empresa em resolver os problemas levantados.

 

Vale lembrar que o filme não é especificamente sobre o Facebook, mas que a empresa resolveu posicionar diante da popularidade do documentário. Para ver a publicação original do FB, basta clicar aqui.

 

E depois que tal vir conversar com a gente sobre a sua opinião – tanto sobre o documentário como a resposta do Facebook? Estamos, errr, nas redes sociais: @scupbrasil no Instagram e Facebook.

 

>>> Veja também: 6 fatores para entender o algoritmo do Instagram

 

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