Scup

Não é nenhuma novidade que as mulheres ainda são minoria no mercado de tecnologia e que essa realidade é sustentada por diversas questões estruturais. Sabemos também que mudar este cenário é difícil – mas não é impossível. Pensando nisso, a Scup desenvolveu o Techwomen 2020, com o objetivo de mapear os desafios que as profissionais do mundo de tecnologia e digital enfrentam na vida profissional por serem mulheres – a fim de munir empresas com informações que podem ajudar a guinar mudanças necessárias.

 

O estudo contou com um monitoramento de redes sociais feito entre 9 de fevereiro e 10 de março e um questionário online, que obteve mais de 800 respostas de mulheres que atuam em empresas de tecnologia no Brasil. 

Assédio no dia a dia

Entre os temas que mais de destacaram nas redes sociais no período estudado aparece a questão do preconceito e do assédio no dia a dia dessas profissionais.

 

Print de um tweet sobre assédio na comunidade gamer

 

O problema de assédio também foi abordado no questionário e os resultados são bem decepcionantes. A maioria das respondentes (60%) afirmou já ter passado por alguma situação de assédio moral no trabalho – uma situação que muitas vezes se repete, seja às vezes ou com frequência. Na maioria dos casos o agressor é um homem, mas uma parte significante dos assédios morais também é cometido por mulheres (19%). O assédio sexual, apesar de menos comum, também aparece como um problema persistente.

Existe uma lacuna de comunicação nas empresas

Entre as mulheres que passaram por alguma situação de assédio, 74% falaram com alguém, entre amigos, colegas de trabalho, parentes, etc. Porém, somente 12% delas levaram o ocorrido aos setores de RH ou de Compliance, responsáveis por esse tipo de demanda dentro das empresas. Entre as mulheres que já sofreram assédio sexual, 78% não recorreu ao RH para formalizar uma denúncia.

 

Por quê?



Entre os motivos para não terem feito a denúncia internamente, as respondentes afirmam terem medo de sofrer represálias e de serem julgadas, entre outros. A falta de informação sobre o tema é sobre códigos e procedimentos da empresa também é um ponto de atenção nesse sentido. Segundo a pesquisa, 39% das profissionais desconhecem total ou parcialmente as leis que as poderiam proteger em casos como os de assédio sexual e/ou moral. Veja mais detalhes sobre essa situação no estudo completo.

As consequências do problema

Na maioria dos casos, as vítimas não relatam o problema para a empresa e acabam internalizando e até normalizando a situação, o que pode vir a causar uma série de distúrbios emocionais e psicológicos. 

A falta de um canal de denúncias confiável 

Na maioria das vezes, não háum canal oficial de denúncia. Isso reforça que existe um alto nível de desconfiança das profissionais em relação aos meios que elas têm acesso hoje para fazer alguma denúncia no trabalho. 

 

A questão do assédio também foi pesquisada no monitoramento das redes sociais. Os termos relacionados à pesquisa reforçam o ponto trazido acima: o verbo “contar” foi considerado negativo dentro do contexto pesquisado. Isso está alinhado com o fato da maioria das respondentes do questionário não terem denunciados os ocorridos internamente. 

 

Termos positivos e negativos no monitoramento Techwomen

 

Essa falta de confiança é um problema que empresas de todos os portes e indústrias tem hoje. Esse caso recente que aconteceu com a Adidas mostra isso com clareza. Em carta aberta à liderança, funcionários pediram para a empresa tomar certas providências como resposta ao movimento #BlackLivesMatter, queganhou força nos EUA no primeiro semestre de 2020. Entre os pedidos, eles mencionam a implementação de uma canal ‘realmente anônimo’ para que denúncias de discriminação, assédio e outras formas de intolerância possam ser feitas com segurança. 

Como a tecnologia pode ajudar a solucionar o problema

O estudo reforça que o assédio no ambiente de trabalho ainda é um problema persistente e sistêmico e que foi feito muito pouco até agora para tentar de fato abordá-lo. Está mais do que claro que pessoas que passam por situações de mau comportamento no trabalho hoje não sentem confiança nos mecanismos de denúncia e nos processos de resolução atuais e nem na própria empresa para fazer uma denúncia. 

 

Ao mesmo tempo, movimentos como o #MeToo e mais recentemente o #BlackLivesMatter têm mostrado que funcionários estão cada vez mais dispostos a se manifestar publicamente sobre questões de assédio e discriminação – se não se sentirem acolhidos para fazer isso internamente. As empresas precisam enxergar que além de ser a coisa certa a se fazer, reconhecer o problema e agir proativamente para tentar resolvê-lo vai ser questão de sobrevivência daqui para frente. O risco de continuar empurrando o problema para debaixo do tapete é grande demais. 

 

Se as empresas se abrirem para inovação nesse espaço, a tecnologia pode ajudar a reverter esse cenário. A implementação de um canal realmente anônimo que gere a confiança que os funcionários precisam na hora de relatar um problema é o primeiro passo. Assim, funcionários podem relatar problemas cedo e o RH ou Compliance terá embasamento o suficiente para endereçar os problemas impedir que eles escalem – priorizando o bem-estar dos seus funcionários e mitigando riscos para a empresa. 

 

A SafeSpace é uma plataforma para comunicar, resolver e prevenir problemas de má conduta no ambiente de trabalho. A nossa tecnologia reduz os obstáculos que tornam esse processo tão difícil hoje, capacitando empresas para lidarem com problemas da melhor forma possível.

 

Post escrito por Rafaela Frankenthal, co-fundadora da SafeSpace.

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