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 É verdade que a maioria das marcas preferiria não se meter em assuntos que não lhe dizem respeito diretamente — mas não é isso que as pessoas esperam delas. Não mais, pelo menos. Pesquisas de 2018 apontam que dois terços dos consumidores acham “muito importante” ou “um pouco importante” que as empresas tenham um posicionamento em questões sociais e políticas.

 

Os mais interessados são os Millennials e a Geração Z, é claro: mais da metade das pessoas nesses grupos consideram o posicionamento político de marcas uma questão influente na hora de fazer compras. São gerações fundamentais porque são o presente e também o futuro do mercado e, portanto, são indispensáveis para as empresas. Com algumas divergências, Millennials são aqueles que nasceram entre 1981 e 1995 (com algumas definições estendendo até 1996 ou até mesmo os anos 2000). Na Geração Z estão aqueles nascidos entre 1996 e 2010. Ou seja: são os jovens de hoje e de amanhã.

 

São os dois grupos que vem chamando a atenção das empresas pelo seu crescente poder de compra. E, para eles, questões como a imigração, direitos das mulheres, diversidade, inclusão, educação e meio ambiente importam. Eles não estão para brincadeira: quase 60% dos Millennials deixaram de comprar de alguma marca cujos valores não se alinhavam com os seus.

Quem faz isso?

Muitas marcas já perceberam isso e entraram na tendência. Não é à toa que boa parte dos vencedores do Cannes Lions e dos anunciantes do Super Bowl 2018 foram propagandas que tocaram em questões sociais. Ainda que sejam eventos do cenário internacional, por aqui também existem iniciativas desse tipo.

 

O Burger King, nos Estados Unidos, frequentemente aposta em propagandas ousadas — algumas delas com posições políticas claras. Um vídeo bastante conhecido foi o que brincava com a Lei de Neutralidade da Rede, aprovada pelo Senado americano em 2018, deixando bastante claro que a marca era contra a medida.

 

Aqui no Brasil, aproveitando as eleições, a rede de fast food fez um vídeo para falar sobre o voto nulo ou em branco — no Brasil, o número desse tipo de votos é o mais alto em 16 anos. Em apenas quatro dias, a propaganda conquistou mais de 2,5 milhões de visualizações e 77 mil compartilhamentos no Facebook.

 

A Vivo recentemente lançou um comercial exaltando a importância da representatividade e a diversidade. Nele, uma menina negra que anda sempre de cabelos presos vê seu pai constantemente assistindo a mulheres que usam o cabelo crespo de forma natural. O resultado? Aperta play!

 

 

Ainda que muitas empresas — estrangeiras e brasileiras — deem a cara à tapa, muitas outras preferem se manter em silêncio para evitar a fúria dos consumidores discordantes do posicionamento da marca. O tempo que isso funcionava, porém, está ficando cada vez mais distante.

 

A cantora Anitta, por exemplo, se viu numa enrascada depois de evitar se posicionar sobre o movimento #EleNão nas redes sociais. Mesmo não sendo uma empresa, a vontade dos fãs e seguidores de saber qual era o posicionamento dela foi tão barulhenta que a levou a fazer diversas postagens no Twitter e Instagram.

 

Com as redes sociais, a conversa acontece independente da participação das marcas. Os usuários expõem seus pensamentos e atingem milhões de pessoas, podendo causar graves danos à imagem das empresas. Os consumidores agora querem tanto saber sobre os valores das marcas que, muitas vezes, ficar em silêncio é pior do que se manifestar.  

E o posicionamento da sua marca?

Se sua marca quiser atingir os Millennials e a Geração Z, é preciso considerar esse tipo de atitude. Não é preciso se posicionar sobre tudo o que acontece no mundo, afinal, acontecem mais coisas do que conseguimos acompanhar. Priorize os temas que tem a ver com o seu negócio e com aquilo que sua empresa acredita.

 

Quais são os seus valores? Hoje em dia, não basta escrevê-los. É necessário provar, com ações, que a sua marca realmente acredita nesses princípios. O melhor lugar para fazer isso são as redes sociais. Não só pelo alcance que as plataformas têm, mas porque é o ambiente no qual esse tipo de postura é mais aceita: 58% dos consumidores vê com bons olhos a postagem de conteúdos com algum posicionamento nas redes sociais.

 

Não vale sair postando posicionamentos por aí, é preciso compreender quais as causas que mais têm a ver com a sua marca. Antes de mais nada, é preciso entender quem se quer atingir e quais os desdobramentos a sua ação pode ter — parte de seus consumidores pode não gostar e protestar nas redes sociais e na vida real também, como aconteceu com a Nike recentemente. Mas, entendendo o público da sua marca, você terá uma noção melhor de como eles responderão a isso. A marca de calçados e roupas esportivas, por exemplo, viu suas ações subirem como nunca com o anúncio de Colin Kaepernick.

 

E aí, qual a sua opinião sobre marcas que se posicionam nas redes sociais? Conta pra gente! @ScupBrasil no Twitter, Facebook e Instagram 😉

 

>>> Veja também: Conheça as marcas que já se posicionaram politicamente

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