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Foi difícil acompanhar o Facebook em 2018: inúmeras notícias sobre vazamento de dados e invasão de hackers estamparam os jornais e portais de notícia. O escândalo mais conhecido aconteceu em março, mas houve diversos outros casos, por isso resolvemos fazer uma linha do tempo. Olha só:

Março

O primeiro e mais chocante vazamento de dados aconteceu em 17 de março, pegando muitas pessoas de surpresa. A informações pessoais de 87 milhões de usuários foram coletadas pela consultoria Strategic Communication Laboratories (SCL) através de um teste aparentemente inofensivo chamado thisisourdigitallife em 2015. No ano seguinte, foram usadas pela empresa de dados Cambridge Analytica na campanha presidencial de Donald Trump e também durante o referendo do Brexit.

 

Segundo as investigações do New York Times e The Guardian, os dados foram utilizados para antever e influenciar a escolha das pessoas em ambas as votações. Nós falamos mais sobre a história aqui — e também como ela afetou a API do Facebook na época.

 

Depois que a notícia estourou, as coisas foram ficando cada vez mais sérias. Inicialmente, pensava-se que 50 milhões de usuários haviam sido afetados, mas esse número foi atualizado para quase o dobro de pessoas afetadas.

Abril

A gente falou que ficava pior, né? O Facebook passou a notificar os usuários que haviam sido afetados pelo escândalo do vazamento de dados envolvendo a Cambridge Analytica e houve mais uma surpresa: a empresa havia tido acesso às mensagens privadas do Messenger de mais de 1500 usuários. No mesmo dia que saiu essa notícia, a CA negou que tivesse acessado tais dados específicos.

Maio

Mais um caso de uso indevido de dados. Dessa vez, foram 3 milhões de usuários afetados. A fórmula, entretanto, era a mesma: um quizz de personalidade coletava as informações, reunindo-as em um site. Por mais que o acesso fosse restrito a pesquisadores, a segurança do repositório era tão fraca que qualquer um poderia “quebrá-la”: com uma simples pesquisa, era possível descobrir o login e senha e fazer o download das informações, que continham idade, gênero, status de relacionamento e atualizações de status.

Junho

Segundo o New York Times, o Facebook compartilhava informações inapropriadas sobre os usuários com os fabricantes de dispositivos como Apple, Microsoft, Samsung, Amazon e BlackBerry. Para que os aparelhos pudessem integrar a rede social ao seus sistemas de operação, eram necessários alguns dados — os quais eram fornecidos pelo Facebook por meio de uma API privada. Ao todo, pelo menos 60 companhias se beneficiavam dessa parceria, incluindo chinesas como Lenovo e Huawei.

 

Era por meio dela que as empresas conseguiam acessar dados dos perfis, como status de relacionamento e também inclinações políticas e religiosas. A parte mais séria é que esse acesso se estendia à rede de amigos do usuários afetados, permitindo que as fabricantes coletassem informações de pessoas sem nenhuma relação com elas.

 

Mais tarde, em dezembro, a imprensa revelou uma nova informação sobre o vazamento de dados: as empresas mantinham acesso às informações anos após o acordo com o Facebook ter acabado.

Setembro

Depois de alguns meses de descanso, o Facebook revelou que um problema de segurança fez com que 29 milhões de contas se tornassem vulneráveis a hackers e empresas maliciosas. O erro levava ao token de acesso dos perfis (eles são como chaves digitais e fazem com que usuários mobile não precisem redigitar suas senhas em todos os logins), dando acesso completo às contas.

 

Para evitar que terceiros mantivessem tal acesso, o Facebook desconectou a conta de 90 milhões de usuários, forçando-os a fazer login novamente na plataforma.

Novembro

Foi um mês conturbado.

 

Primeiro, descobriu-se que as informações de mais de 80 mil pessoas estavam à venda na internet. O conteúdo eram as conversas privadas no Messenger, oferecidas por 10 centavos cada uma. A maioria das contas afetadas eram da Rússia e Ucrânia, expostas por conta de uma extensão maliciosa que roubava as informações.

 

Depois, veio à tona um bug que usava um login legítimo de formas não-autorizadas e então permitia o acesso a informações privadas de usuários do Facebook. Segundo a Imperva, empresa de segurança que investigou o caso, os hackers poderiam acessar informações sobre os interesses pessoais do usuários e de seus amigos, mesmo que as configurações de privacidade estivessem setadas para bloquear esse tipo de visualização.

 

Por fim, o maior dos escândalos desde o caso Cambridge Analytics em março: segundo o New York Times, o Facebook havia contratado uma empresa de relações públicas para espalhar notícias falsas para melhorar a imagem da rede social. Chamada Definers, a agência trabalhou após a crise de março, mas também atuou na época das eleições presidenciais de 2016 dos Estados Unidos — antes de as informações sobre a interferência da Rússia se tornarem públicas.

 

O Facebook rompeu o contrato com a Definers após a publicação da matéria e o CEO Mark Zuckerberg afirmou que nem ele nem Sheryl Sandberg sabiam dessa ligação ou dessa estratégia de relações públicas.

Dezembro

O problema do último mês de 2018 foi com imagens: 6.8 milhões de usuários tiveram suas fotos expostas por conta de um bug. Empresas tiveram acesso até mesmo às mídias que os usuários haviam feito upload, mas não postado no feed. Os usuários afetados receberam um comunicado sobre o ocorrido. Foram aproximadamente 1500 apps de 876 de desenvolvedoras diferentes.

 

Com quase dez casos de vazamento de dados, o Facebook não teve um ano fácil. Principalmente porque, junto com essas notícias, vieram (algumas) consequências: Mark Zuckerberg e seu depoimento de 5h ao Senado dos Estados Unidos e o movimento #DeleteFacebook, por exemplo. A rede social também perdeu U$ 120 bilhões em um único dia, sofrendo a maior queda diária da história do país. Será que 2019 será melhor?

 

>>> Veja também: Os updates do Facebook para 2019

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