Mídias Sociais em 2014 previsões e tendências

A convite do Scup Ideas, 50 profissionais e estudiosos compartilham suas visões sobre o que pautará o mercado de mídias sociais no ano que chega.
×

Adriana Kevill

Diretora de estratégia On-line &
Social Media na KRT Marketing
“O foco constante no mobile continuará exercendo
um papel chave nas estratégias de marketing”

Mídias sociais não são mais apenas algo que “é bom ter”. As empresas que não consideram mídias sociais como parte das suas ferramentas de negócios provavelmente ficarão para trás. Além disso, ter uma estratégia de mídias sociais não é mais suficiente: rastrear seus esforços e sobrepôr os resultados à sua estratégia e aos seus objetivos são ações fundamentais. Embora seja bom experimentar com conteúdo e campanhas, é muito ruim não rastrear resultados e acompanhar de perto seus dados de analytics.

O foco constante no mobile vai continuar tendo um papel chave nas estratégias em 2014. A corrida por desenvolver competência está ficando cada vez mais acirrada. É certo que veremos um aumento vertiginoso nos budgets de publicidade para mobile. De acordo com a AdAge, os ads para mobile constituirão mais de 50% da renda do Facebook. Além disso, nos Estados Unidos, os investimentos com esse tipo de publicidade deverão chegar a 11,8 bilhões de dólares em 2014. Ads para mobile tais como os conhecemos hoje serão substituídos conforme as marcas encontrarem novas soluções para publicidade e formatos baseados em multimídia e interação.

Embora ainda controverso para alguns, eu acredito que as marcas deveriam estar no Google+. Não necessariamente por seu aspecto social, mas por causa da predominância do Google nas buscas e sua integração com tantos aspectos da web. O Google+ não oferece uma plataforma mais profunda de engajamento, e isso faz com que seja mais propício para interações de negócio e de educação.

Alberto Cairo

Professor na Escola de Comunicação
da Universidade de Miami (EUA)
“A infografia será fundamental
para marcas e empresas”

As mídias sociais serão extremamente visuais. Mais do que nunca, fotos, vídeos e infográficos de qualidade serão fundamentais para marcas e empresas. As mídias sociais são formas de comunicar informação, de criar narrativas que melhoram a compreensão de assuntos importantes. Como consequência, os usuários buscarão as formas mais eficazes de contar suas histórias; às vezes com texto, outras vezes com ferramentas visuais, do mesmo jeito que comunicadores profissionais vêm fazendo desde sempre.

Ana Brambilla

Editora de mídias sociais na Editora Globo e professora do Master em Jornalismo do IICS e da pós-graduação em Jornalismo Multimídia da FAAP.
“O cansaço do Facebook vai chegar ao Brasil”

O Facebook mostra sinais de fadiga. Jovens adultos da Europa e adolescentes dos Estados Unidos já tiraram férias ou declararam independência dessa rede. E como no Brasil a tendência de comportamento digital chega naturalmente, com um suave atraso, me parece bastante provável que esse cansaço de Facebook se manifeste por aqui ao longo do próximo ano. Possíveis razões:

  • a perda do caráter social, influenciado pela artificialidade do edge rank (que rege o modelo de negócio do Facebook, amparado pela visibilidade);

  • saturação de formatos publicitários que, apesar de mostrarem conteúdo ultra segmentado, há muito deixou de ser natural e já soa irritante;

  • superpopulação e consequente perda de privacidade: meus pais, meus tios, meus professores estão no Facebook e me censuram por este ou aquele post;

  • abandono em escala: se meus amigos começam a se distanciar do Facebook, logo perco a principal razão para estar nessa rede;

  • adoção de ferramentas mais específicas (com um só foco de interesse ou funcionalidade) e direcionamento para mobile: WhatsApp, Instagram, jogos, revitalização do MySpace para música e etc.

Nesse último item, já se desenha alguma tendência não apenas de fim, mas de prosperidade do esquema social, que foi uma conquista do público e da qual não vamos abrir mão por um modelo predatório como o adotado pelo Facebook.

Ana Célia Costa

Analista de Monitoramento
na FSB Digital
“As marcas vão exigir 'inteligência' de seus
fornecedores no mundo das mídias sociais”

Podemos esperar por um 2014 bem agitado nas mídias sociais do Brasil. Ano eleitoral e ano de Copa do Mundo! Podemos aguardar muitas postagens e compartilhamentos num efeito de onda.

Podemos esperar por mais qualificação nas redes? Depende do que chamamos de qualificação. A linguagem na qual as pessoas se expressam nas redes é de extrema liberdade, mas, como tudo se aprimora, acredito que podemos esperar por mais mudanças na área do Direito Digital.

A onda de ativações vai ter como consequência a exigência por análises mais aprofundadas. Somente prints de gráficos de ferramentas de monitoramento tendem a ficar cada vez mais de lado, já que o que o cliente busca é a inteligência e não só uma “fotografia da realidade”. Quem sabe isso possa ser refletido no mercado e nas universidades.

Aprimoramento e exigência por mais qualidade: fatores que não mudam independentemente do ano, mas que terão um peso diferente no ano da Copa do Mundo e das eleições. Feliz 2014!

Ana Luiza Xavier

Analista Comercial Pleno na Light
Serviços de Eletricidade S.A.
“O SAC 2.0 continuará a crescer à medida
que as empresas se especializarem”

Acredito que as principais tendências para as mídias sociais em 2014 serão as redes sociais de nicho, o compartilhamento de vídeos em tempo real e o aumento do uso da TV Social pelas emissoras (interação entre a programação da TV e as redes sociais em tempo real).

Veremos também mais aplicativos sendo desenvolvidos para o Facebook, inclusive de autoatendimento. Finalmente, o SAC 2.0 continuará a crescer e a ganhar mais adeptos à medida que as ferramentas de monitoramento e as empresas se especializarem cada vez mais, oferecendo uma resposta organizada, diferenciada e funcional ao usuário.

Ana Paula Morais

Coordenadora de Reputação
Digital na Cemig
“Quem tiver as estratégias de conteúdo
mais ousadas vai se relacionar melhor”

Em 2014, o marketing de conteúdo vai alavancar as conversas nas mídias sociais. As empresas estão investindo cada vez mais no conteúdo direcionado e ganhando valor para suas marcas. A oportunidade de conversa com os consumidores já foi criada. Agora, é hora de construir o melhor e mais interessante conteúdo para que esse elo seja mantido.

As empresas, instituições e pessoas que assumirem o relacionamento com seus consumidores serão capazes de influenciar a percepção de suas marcas, transformando a comunicação e seus produtos.

Vai se relacionar melhor quem for criativo e tiver as estratégias de conteúdo mais ousadas. A concorrência por audiência é imensa e todos, grandes e pequenos, pessoas e empresas, estão na briga pelas melhores oportunidades de estabelecer essa conversa.

Ana Victorazzi

Coordenadora de Projetos
na 55social
“O Google+ vai merecer nossa atenção”

Se levarmos em consideração a maturidade do mercado brasileiro em social, como um todo, ainda vamos falar de pontos que não são mais novidades, como qualidade, formatos e tipos de conteúdo, investimento em equipe, ferramentas e mídia. Porém, se pensarmos nas empresas, marcas e agências que já estão prontas para os próximos passos, apostaria em: mais investimento em equipe, ferramentas e mídia.

Sem elas não há como expandir ações para mais canais de redes sociais de forma eficiente, organizada e que gerem resultados de fato, pois ter uma fan page que mais parece uma comunidade de frases de autoajuda não faz branding, nem vendas, nem soluciona problemas.

Redes sociais como Google+ merecem atenção. Instagram e Vine podem ser ambientes muito atrativos para certos públicos-alvo. Redes sociais de produtos e lojas serão tendência entre os amantes de compras on-line. Portanto, empresas com e-commerce próprio deveriam começar a considerar colocar suas mercadorias nesses ambientes. CRM para mídias sociais também vai disparar, além de retargeting e remarketing. Quem investir no primeiro ponto (equipe e ferramentas), vai ter uma vantagem avassaladora no mercado brasileiro nesse quesito, pois desenvolverá um relacionamento 1x1, tão defendido. Será possível chegar a outro patamar, em que não há quase nenhum concorrente nesse momento do país. É uma “senhora” oportunidade.

André Siqueira

Diretor de Marketing na
Resultados Digitais
“Compartilhamentos nas mídias sociais terão muito
mais influência nas ferramentas de buscas”

Com as mídias sociais cada vez mais “lotadas” de empresas e pessoas, será preciso um investimento maior para conseguir se sobressair e ter bom destaque. Vídeos e imagens de qualidade devem ajudar a fazer a diferença.

No campo de anúncios, acredito que a personalização e segmentação tendem a ficar ainda mais avançadas. O retargeting, que já vem funcionando bem, deve se expandir também para empresas menores.

Acredito que os compartilhamentos em mídias sociais terão muito mais influência nos algoritmos de ferramentas de buscas. Afinal, representam melhor a forma como as pessoas consomem e recomendam conteúdo hoje.

Isso tudo se juntando a outras tendências que já vêm se consolidando ao longo do tempo e devem continuar se acentuando, como um marketing muito científico (baseado em métricas e acompanhamento próximo) e muito conteúdo.

Anna Paula Muniz

Pesquisadora na Ideafix
Estudos Institucionais
“Será preciso relacionar informações
de diversas fontes”

Com o crescimento da importância das mídias sociais para a estratégia dos negócios será cada vez mais exigido do profissional de mídias sociais que saiba correlacionar informações de diversas fontes – pesquisas de mercado, SAC, vendas, dados de mídia e Business Intelligence e etc – com os resultados de mídias sociais. Para entregar análises relevantes, esse profissional deve estar informado sobre o mercado e o segmento do cliente, ler sobre negócios, política e economia.

Antonio Mafra

Diretor de Comunicação
Digital na Cyrk
“As áreas de monitoramento de mídias sociais
serão cada vez mais profissionalizadas”

Uma pergunta recorrente em nosso dia a dia é sobre o que vem pela frente. E o “pela frente” já está logo ali, o que torna ainda mais difícil chegar a uma conclusão. Se é que existe uma.

Trabalhando com mídias sociais durante esses anos, percebi que em nosso cotidiano temos um tempo muito curto para aprender e entender, tanto a forma de se comunicar como a usabilidade das ferramentas. Tudo muda rapidamente, e é sabendo disso que esse texto não pretende ser um guru de novas tecnologias e criação de plataformas, muito menos analisar cada rede e adivinhar o que vai cair ou vingar.

Na minha visão, a atenção dos profissionais deve estar voltada a algo simples: como isso altera e ajuda na experiência das pessoas, e como podemos fazer com que as marcas possam participar disso. A questão é que, para quem está acostumado a propagar conteúdo, campanhas e ações, a ideia de direcionar a mensagem corretamente e estar preparado para interagir o tempo todo com os fãs pode ser desafiadora. Isso sem citar a chegada da Copa do Mundo e as ondas de manifestações, fatos aliados à crescente rede “privada”, como grupos do Whatsapp, Pheep, entre outros.

Dito isso, a primeira tendência que vejo é cada vez mais profissionalizarmos a área de monitoramento. Não só classificando entre positivo, negativo e neutro, mas sim, trazendo muita inteligência por meio de análises e entendimento do sentimento de cada cliente. As ferramentas, por sua vez, sofrerão grande avanço, e como as pessoas estão optando por compartilhar mais imagens e vídeos, teremos que ter capacidade de ação e reação mais eficazes, identificando quando estão expondo a nossa marca ou produto.

Isso traz à tona outra história: o mediador. Em tempos de conversas em tempo real, num espaço aberto que mantém histórico, muitas empresas já estão se movimentando para que o SAC esteja cada vez mais profissionalizado no meio social e integrado ao SAC tradicional.

Mesmo assim, é necessário cuidado. Temos visto que os ambientes em que as empresas se propõem a dialogar muitas vezes são alvos de bullying ou piadas, seja entre os usuários ou com a própria empresa. E é aí que entra o papel de um mediador que conheça a empresa, o ambiente em que ela está inserida e também um profundo estudioso de relações entre pessoas, que terá uma atuação de destaque, seja para gerir crises, identificar oportunidades para criar conteúdos, ou mesmo ter jogo de cintura numa abordagem que pode parecer inocente, mas deixa muitas empresas em “saia justa”. Trabalhar quase em tempo real também vem ganhando terreno, os assuntos estão aí. Ter habilidade e desenvoltura para entrar no diálogo vai exigir capacidade criativa dos profissionais da área. Isso é mais uma tendência.

Tudo isso só pode ser desenvolvido por meio de análises contestantes (métricas) e do conhecimento do target, mas a forma como essas informações são apresentadas não consegue trazer um entendimento claro para mostrar com quem estamos falando e o que consideramos uma boa conversão. Vejo que temos ainda uma dificuldade de comprovar a eficácia do digital no ponto de venda e a conversão para outros canais. E aí vem mais uma tendência, a evolução e modificação no que conhecemos como métricas e análises: não só quantificar, mas também trazer uma grande qualidade na informação. Lembrando que isso deve ocorrer de acordo com a função de cada ação ou mensagem.

Não menos importantes, as atividades em rede pensadas para o mobile ganharão cada vez mais força. E sabendo que muito do que existe para o meio não foi pensado para tal, haverá um esforço maior das áreas de tecnologia em criar ambientes para que as pessoas possam ter contato também com as marcas por meio do celular.

Beth Saad

Pesquisadora e Professora Titular da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP. É vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação na mesma instituição.
“Há cada vez mais consumidores em rede, opinando
e influenciando em diversas plataformas”

Um dos grandes desafios das mídias sociais é a conciliação entre a mobilidade do usuário e a adequada presença das marcas nessa dinâmica. Cada vez mais teremos consumidores em rede, dialogando por meio de diferentes plataformas, dispositivos e ambientes. Uma conversa cada vez mais opinativa e influenciadora.

Em 2014, o desafio das marcas será buscar uma presença nesses ambientes que não seja intrusiva, que promova uma relação de proximidade e que tenha adequação e oportunidade ao momento, ao dispositivo e à proposta de comunicação.

As mídias sociais estão consolidadas no ecossistema midiático. O que se vê para frente serão ações que incluam a característica essencial dessa mídia - o diálogo e a participação efetivos, e não apenas um canal adicional dentro do mix de comunicação. Não é um processo muito fácil de ser compreendido, ainda.

Camila Moraes

Gerente de Mídias Sociais
na A2 Comunicação
“As empresas deverão se adaptar a consumidores
em constante mudança comportamental”

Consumidores atuais são “mobile”, mas não só no sentido físico: eles também estão em constante mudança comportamental. São imediatistas, experimentadores, consomem e disseminam conteúdo em diversos canais simultaneamente.

Empresas e marcas já estão sentindo o impacto desse novo consumidor na hora do atendimento. É essencial segmentar o público e atender de forma personalizada e humanizada, focando em novas oportunidades de negócio. Para sobreviver, será necessário se adaptar.

Carolina Frazon Terra

Gerente de Mídias Digitais
na Nestlé
“Pensar conteúdo para dispositivos móveis não
será apenas tendência, será necessidade”

Acredito que atingimos um estágio em que marcas e organizações em geral já enxergam total importância em sua presença nas mídias sociais. Essa postura já sinaliza, portanto, algumas tendências para 2014. Penso que o monitoramento de mídias sociais seja absolutamente imprescindível e ponto de partida para quem quer estar nesse ambiente.

Atender clientes - BEM e de forma ÁGIL - também é um diferencial competitivo e acaba gerando cases. O simples fato de um banco responder a um cliente sob a forma de poesia já o pôs sob os holofotes da fama nas redes. Isso mostra que humanização e personalização são tendências.

O profissional que atua nessa área fica cada vez mais diverso e híbrido: são pessoas das mais variadas formações. Basta ter perfil para o diálogo, atenção aos números, tendências e movimentos do mercado.

Além disso, finalizo minhas apostas falando de publicidade: infelizmente, chegamos a um ponto em que o crescimento orgânico sem investimento financeiro nas plataformas não se faz possível. É uma tendência triste, mas inevitável.

E não podemos nos esquecer da "menina dos olhos" das redes: o mobile. As pessoas estão cada vez mais conectadas via celulares e smartphones. Pensar conteúdo para esses dispositivos e formatos não é apenas uma tendência, mas também uma necessidade.

Cassio Politi

Diretor de Content Marketing
na Tracto
“A cobrança por resultados financeiros
nas mídias sociais será um imperativo”

O estouro das mídias sociais como plataforma para empresas se intensificou no Brasil entre 2008 e 2009. O resultado disso foi uma expectativa exagerada das empresas em relação ao potencial das redes.

Algumas empresas de grande porte chegaram até a acabar com seus sites, depositando todo o conteúdo em suas fan pages. O Facebook se posicionou como um substituto da internet e elas acreditaram.

Aos poucos, os papéis vão ficando mais claros. Muitas empresas norte-americanas já sacaram que redes sociais populares, como Facebook e Twitter, são ótimas ferramentas de atendimento ao público, mas têm baixíssima capacidade de gerar lucro. E empresas existem para obter lucro.

Segundo a edição de 2013-2014 da pesquisa anual do Content Marketing Institute, de Cleveland, redes sociais ainda são a tática mais usada pelas empresas, mas não figuram nem sequer entre as dez melhores no ranking da eficácia. Esse atributo ainda pertence a táticas como eventos presenciais e on-line, estudos de caso, blogs corporativos e newsletters digitais.

Soube de duas empresas de São Paulo que enxugaram drasticamente as equipes de redes sociais nos últimos dois meses. O motivo: social media não gerou receita e o investimento virou despesa. Acredito, portanto, que a cobrança por resultados financeiros seja a tendência para 2014.

As empresas brasileiras não vivem mais a euforia econômica que contagiou o país dois anos atrás, quando as áreas de comunicação e marketing tinham carta branca para torrar investimentos na degustação de plataformas sociais. O momento é de separar os geradores de conteúdo dos geradores de novos clientes.

Profissionais e agências de comunicação no Brasil têm excelentes habilidades comunicacionais. Mas lhes falta visão de negócios. Poucos entendem que seu objetivo não é gerar likes, retuítes, downloads ou unique visitors. Esses elementos são meios de se conquistar mais clientes, e não a moeda corrente.

Davi Gasparotti

Analista de Mídias Sociais
no Senac São Paulo
“As empresas vão parecer cada vez
mais humanas nas mídias sociais”

Quando se trata de mídias sociais, falar de tendências é algo muito arriscado. As mídias sociais mudam muito, mas acredito que a humanização será mais explorada. Hoje, ainda vemos muitas empresas que falam com os usuários das mídias sociais como se fossem robôs e isso traz muita insegurança para o cliente. Acredito que, por mais séria que seja a empresa, colocar um sorriso no final das respostas não será um problema para ela e trará um ar mais descontraído para a conversa. O uso de imagens postadas pelas empresas através de smartphones, por exemplo, também traz essa impressão de que há pessoas por trás daquela marca.

Diego Monteiro

Co-fundador do Scup
“A hegemonia do Facebook será ameaçada”

Podem entrar em cheque a hegemonia e a efetividade do Facebook. Isso não é fatídico, mas sim em 2014 poderá aumentar a probabilidade de isso acontecer. Penso assim porque, em 2013, houve muitos questionamentos, ainda que os investimentos não tenham parado. No ano que começa, pode ser que haja uma retração nos investimentos nessa rede ao mesmo tempo em que, seguindo o ciclo de toda rede social de nascimento, ascensão, estabilização e queda, pode ascender uma nova rede social. Isso ocorre por conta da inviabilidade de manter os early adopters misturados com os late adopters.

Douglas Costa

Gestor de Redes Sociais
na Netshoes
“Quem quiser ganhar escala nas redes sociais
precisará colocar a mão no bolso”

Para que serve rede social? Serve ao negócio. A atuação de uma empresa lá só faz sentido quando está alinhada aos seus objetivos maiores, quando ajuda a vender mais, trazer novos clientes, fidelizar os atuais, encontrar insights de inovação, criar oportunidades de negócio.

Acredito que em 2014 veremos o amadurecimento dessa visão, especialmente em empresas on-line, como os e-commerces, em que é possível mensurar os resultados do trabalho em redes sociais de maneira concreta e validar a estratégia. A discussão será menos sobre engajamento, likes, compartilhamentos, e mais sobre receita, share de mercado, índices de satisfação dos clientes.

Com rede social gerando negócio, a competição aumenta, e o investimento nela deixa de ser uma opção e passa a ser essencial. As empresas precisarão encontrar parceiros especializados ou formar equipes dedicadas e multidisciplinares, atuando em planejamento, monitoramento e análise de dados, relacionamento, design e etc. Ou seja, investir em gente e tecnologia.

Outro fator importante que deve entrar nessa conta, e fazer as empresas repensarem seus budgets em 2014, é o investimento em mídia dentro das mídias sociais. Com essas redes abrindo capital e precisando apresentar resultado, seus formatos de anúncios terão visibilidade cada vez maior quando comparados ao conteúdo “orgânico”, sem investimento. Em outras palavras, quem quiser ganhar escala nas redes precisará colocar a mão no bolso.

Ed Terpening

Consultor sênior no
Altimeter Group
“A alta cúpula das empresas prestará mais atenção nas
mídias sociais e exigirá resultados confiáveis”

Em 2014, vejo estratégias reformuladas com um engajamento mais eficiente e abrangente com o social. Muitas empresas não têm uma estratégia coerente, que inclua toda a organização. Em vez disso, times isolados tendem a criar perfis nas mídias sociais para testar e aprender. Os negócios estão agora se deparando com uma infinidade de páginas e perfis desconectados, que resultam numa experiência pulverizada para o consumidor.

Um passo fundamental para resolver isso será engajar a liderança no social para criar alinhamento em torno de uma estratégia global que suporte os objetivos de negócio. Para fazer isso, estrategistas de social precisarão justificar os investimentos nesse trabalho com métricas fortes de ROI e outras provas de que as mídias sociais estão tendo um impacto. Dessa forma, os custos serão mais do que um erro de cálculo para o budget do marketing tradicional, como é o caso de muitas empresas atualmente. Com esse aumento de investimentos em social, a alta cúpula deverá prestar mais atenção e exigir resultados confiáveis.

Eric Messa

Gestor do Núcleo de Inovação
em Mídia Digital da FAAP
“As marcas sairão do ambiente
exclusivamente digital”

A próxima onda é o aprimoramento das estratégias de mídias sociais que promovam experiências reais no cotidiano do consumidor da marca. Termos como real time marketing e live marketing devem ganhar espaço e colocar as mídias sociais em outra esfera de pensamento estratégico. Deveremos sair do ambiente exclusivamente digital e começar a criar ações que envolvam as redes sociais. Ao mesmo tempo, é preciso que gerem algum efeito imediato no consumidor que pode estar, por exemplo, em frente à gôndola do supermercado.

Erik Qualman

Palestrante e autor dos livros "Socialnomics", "Digital Leader" e "Crisis"
“A tecnologia vestível será uma realidade”

Está aumentando a olhos vistos a tecnologia vestível, como o Google Glass e os smartwatches ou relógios inteligentes. Com isso, muitas empresas vão começar a produzir e proteger sua reputação digital. Será assim porque a sua reputação em geral será apenas a sua reputação digital.

Ester Bonança

Coordenadora FALE 2.0
da TAM Linhas Aéreas
“As empresas deverão se empenhar para participar
dos momentos off-line de seus clientes”

Em 2013, discutiu-se muito como usar as mídias sociais para realizar o atendimento 2.0. Muitas empresas começaram a planejar seu modelo de atendimento, outras desenvolveram seus projetos, outras arriscaram mais, outras menos, mas é muito importante que não se perca o foco. As mídias sociais são apenas um meio para se comunicar com pessoas. Quando entendemos isso, muitos tabus, medos e pré-conceitos são quebrados e, com isso, conseguimos criar um relacionamento verdadeiro. Quando há empatia, entendemos o momento do nosso cliente, seja ele um momento de descontração, seja prestando ajuda para resolver algum inconveniente. Percebe-se no mercado uma forte tendência em trazer a experiência on para o off, usando a internet apenas como um facilitador.

Temos alguns exemplos de apps que estão fazendo muito sucesso no mundo, como o Tinder, por exemplo, em que mais de 100 milhões de perfis são analisados por dia. No Brasil, o crescimento tem sido algo em torno de 10% ao dia. Apesar da febre dos smartphones, cada vez mais as pessoas estão carentes por conhecer pessoas. Há uma tendência em sermos “bombardeados” por propagandas e promoções de inúmeras empresas e, quando precisamos escolher uma delas, tendemos a escolher aquela que de alguma forma faz parte do nosso cotidiano, tanto no mundo on como off. Por isso, as empresas precisam se empenhar em participar também dos momentos off de seus clientes, criando vínculos mais profundos. Em outubro passado, por exemplo, iniciamos uma ação em nosso Facebook em comemoração ao aniversário de 20 anos do Programa TAM Fidelidade. Pedimos e recebemos fotos de clientes para estamparmos numa aeronave. A pintura, que hoje está voando pelo país, reúne rostos de 10 mil clientes, uma ação que começou on e fará parte do dia a dia off de nossos clientes.

Pelo que estamos vivenciando atualmente no mercado, acredito que cada vez mais o aumento dos conteúdos em vídeo estará em voga. Vimos em 2013 um crescimento forte do Vine, bem como uma grande mudança no Instagram, que se aproveitou de uma oportunidade aberta pelo Vine e consolidou o vídeo como um formato. Está cada vez mais fácil (sem entrar no mérito da qualidade) produzir esse tipo de conteúdo. Se isso tudo já aconteceu em 2013, e é um formato bem recebido e muito consumido pelas pessoas, eventualmente podemos esperar um fortalecimento no consumo de tais tipos de conteúdo para 2014, inclusive em novas plataformas.

Fabricio Guimarães

Gerente de Marketing e
Comunicação na Philips
“As marcas buscarão customizar seu conteúdo”

Acredito que o conceito de CRM Social é o que vai conduzir as mídias sociais em 2014. A personalização do diálogo, a customização do conteúdo e o engajamento via um entendimento qualitativo do consumidor devem ser as buscas das marcas. Os canais sociais já se consolidaram e temos hoje ferramentas que nos permitem uma interação muito mais estratégica. O ROI nas mídias sociais vai estar ainda mais em foco para aqueles que buscam eficiência no contato. Já se entendeu que ter uma base de fãs alta não significa nem audiência, nem engajamento e nem conversão garantida. Quando um usuário se aproxima da sua marca em um canal social ele simplesmente abre uma possibilidade para que o “jogo” comece.

Gabriel Ishida

Analista de Social Intelligence
na dp6
“A convergência entre TV e internet levará
ao surgimento de novos modelos de negócio”

2013 foi um ano de maturidade dos modelos de negócio dentro das mídias sociais, em que presenciamos mudanças e novidades no Facebook, Twitter e outras redes como Foursquare e Instagram. Foram mudanças que vieram das próprias redes e também da apropriação das próprias marcas, que buscaram sair do lugar-comum e pensar novas possibilidades. Isso vale principalmente no caso das grandes marcas. Contudo, em 2014, com a inevitável convergência entre TV e internet por meio de Smart TVs, dispositivos móveis e plataformas especializadas (como Netflix), começarão a surgir novas necessidades de modelos de negócio para esses novos cenários. Por parte das principais redes, será um desafio integrar os atuais modelos com esse novo contexto, em que TV, mobile e internet são totalmente integrados.

Já vimos alguns movimentos do Twitter para oferecer anúncios segmentados por atrações televisivas e novos recursos do Google que consideram os múltiplos dispositivos para oferecer anúncios segmentados. Por parte das grandes marcas, elas enxergarão uma boa oportunidade para criar formas de engajar seu público, considerando essa convergência, principalmente, por conta da Copa do Mundo. Acredito que surgirão excelentes e criativas campanhas.

Gilberto Musto

Consultor político filiado a ABCOP, escritor, jornalista, radialista e palestrante.
“Dificilmente, a internet terá uma conversão
de votos representativa na próxima eleição”

Além de uma verdadeira invasão dos dispositivos móveis, que serão as estrelas no próximo ano e deterão quase 40% do mercado ainda dominado pelos desktops, outros aspectos devem ser tendência daqui a alguns meses.

Ao brindarmos a chegada de um novo ano, brindaremos também a navegação apenas em sites que podem ser automaticamente adaptados para smartphones e tablets. Os sites ainda estáticos, num formato de não sei quantos pixels de largura e pela altura que for conveniente ao que foi projetado, estarão fora e perderão grande tráfego.

As mídias sociais ganharão quase a totalidade dos internautas que estão na rede. Hoje, participantes de redes sociais representam quase 87% de todos os conectados à internet. Até 2015, a probabilidade de chegar a 96% é muito alta. Isso muda muito, não apenas pelo relacionamento, mas pela interatividade entre marcas, produtos e consumidores.

2014 será marcado também pelas eleições em que os políticos julgam ter uma ligeira ideia de que sabem usar as redes sociais: imaginam também que tais redes lhes deem votos com a mesma intensidade com que se vende um livro num site ou se baixa uma música em qualquer loja virtual. Ledo engano.

Para as eleições que se aproximam, a comunicação com os eleitores pelas redes sociais deve ter gestão de conteúdo, gestão de relacionamento e permanente monitoramento, tudo elaborado e gerido por uma equipe especialmente treinada, para que o político possa ter importante participação e mostrar-se relevante, criando um “buzz” que amplie o share no geoespaço em que vai atuar com suas bases.

Imaginar que haverá uma grande conversão de votos por intermédio da internet e pelas redes sociais será algo ainda prematuro para essa próxima eleição. A grande maioria dos políticos brasileiros, em especial os eleitos, não usa as redes sociais como relacionamento, mas como canal de informação - erro número um. Também não têm respostas rápidas aos que tentam interagir, principalmente se for uma crítica - erro número dois. São pouquíssimos os que possuem um serviço de monitoramento, ou seja, postam o que desejam, ou que acham importante e não avaliam o impacto e o feedback de suas ações, muito menos o comportamento dos adversários - erro número três.

Dificilmente, a internet terá uma conversão de votos representativa na próxima eleição, mas facilmente será uma ferramenta que pode subtrair votos, se não utilizada da melhor e mais correta forma possível.

Giordano Moraes Damiani

Supervisor de Social Media
na Agência CASA
“Conteúdos em vídeo continuarão em alta”

Pelo que estamos vivenciando atualmente no mercado, acredito que cada vez mais o aumento dos conteúdos em vídeo estará em voga. Vimos em 2013 um crescimento forte do Vine, bem como uma grande mudança no Instagram, que se aproveitou de uma oportunidade aberta pelo Vine e consolidou o vídeo como um formato. Está cada vez mais fácil (sem entrar no mérito da qualidade) produzir esse tipo de conteúdo. Se isso tudo já aconteceu em 2013, e é um formato bem recebido e muito consumido pelas pessoas, eventualmente podemos esperar um fortalecimento no consumo de tais tipos de conteúdo para 2014, inclusive em novas plataformas.

Ivan Alves

Analista de Mídias Sociais Sênior na Magazine Luiza e co-criador do blog Publistagram
“As pequenas e médias empresas vão
melhorar o atendimento ao cliente”

Acredito que muita coisa vai evoluir em 2014. Os anúncios em redes sociais serão cada vez mais otimizados, e o conteúdo pago cada vez mais personalizado. Isso tudo graças à evolução das ferramentas, que ainda vão precisar de muitas melhorias mas já estão entendendo as preferências dos usuários. Paralelamente, o SAC e o CRM Social começarão a caminhar cada vez mais juntos, não apenas nas grandes organizações. Também as empresas de médio e pequeno porte estão entendendo a importância de atender seus clientes nas mídias sociais. Elas viram que isso pode dar certo sem gastar muito. Assim, enxergo um aumento significativo na qualidade do pós-venda.

O mobile terá proporções que nunca vimos antes. Apesar de ser um pouco óbvio, a evolução da plataforma será surpreendente: o público emergente que tem adquirido seu primeiro smartphone empolga – e muito – as empresas para investir cada vez mais nisso.

Como tudo em mídias sociais está em constante evolução, os indicadores de performance não são diferentes: vejo empresas solicitarem métricas cada vez mais aprofundadas e que precisam de muitos cruzamentos e habilidade para se chegar nelas. Acredito que as ferramentas terão de acompanhar e automatizar mais e mais esses indicadores.

Falando no perfil dos profissionais (e aqui eu estou mais torcendo do que qualquer outra coisa), espero que haja mais regulamentação e padronização do perfil dos profissionais da área. Vejo muita gente que trabalha muito por pouco e gente que trabalha pouco por muito.

Além disso tudo, podemos esperar ações em mídias sociais incríveis estimuladas pela Copa do Mundo no Brasil. Enfim, podemos esperar um 2014 muito promissor.

Jim Lodico

Proprietário da JAL
Communications
“O conteúdo é a única constante
que permanece verdadeira”

O futuro do marketing on-line é a autoridade. A habilidade de se apresentar como um especialista e quem que as pessoas procuram quando querem ajuda é essencial para o sucesso nas mídias sociais e no marketing digital. Reconhecimento que vem daqueles com um alto grau de autoridade também dá mais relevância aos resultados da busca.

Isso significa que é preciso se estabelecer como uma autoridade autêntica no seu campo de atuação em uma variedade de plataformas. Isso se faz publicando conteúdo que fala diretamente com o seu público-alvo e realmente ajuda a resolver um problema. Pode ser tão diferente quanto um post de blog aprofundado quanto uma discussão casual em uma plataforma de mídia social. Você deve ser quem as pessoas procuram quando desejam informação e aconselhamento na sua área de expertise. Publicar conteúdo que demonstra a sua especialização, para o qual as pessoas se voltam e querem ler, ajuda a construir a sua autoridade. Usar as mídias sociais para engajar, criar discussões e ajudar pessoas também faz esse papel. É preciso transformar os seus perfis nas mídias sociais em recursos que os outros procuram para se informar e aprender.

Construir relacionamento com outras autoridades também é importante. Conheça os especialistas. Entre em suas discussões e crie oportunidades de interação contribuindo com seus próprios insights. Reconhecimento de outras autoridades ajuda a construir a sua própria autoridade.

E, por mais que você goste do Facebook e do Twitter, o Google+ é crucial se você quer ter seus resultados mais valorizados por mecanismo de busca. O Google+ é mais entendido pelo próprio Google do que qualquer outra mídia social. Compartilhamentos, +1s e mesmo uma menção em um perfil no Google+ pode ter um grande impacto nesse resultado. O Google quer promover os experts que as pessoas querem ver. Coloque-se na frente não apenas como um expert, mas como um expert que sinceramente quer ajudar os outros, e você será recompensado.

O seu conteúdo é a sua marca. Construa a sua marca com honestidade, confiança e vontade de ajudar os outros, e você verá os resultados. Enquanto outros atalhos acabam se revelando ineficazes, o conteúdo e as discussões geradas por ele são a única constante que permanece verdadeira.

Site: JAL Communications

Joe Pulizzi

Autor e fundador do Content
Marketing Institute
“É preciso produzir conteúdo de referência
em vez de falar tanto sobre produtos”

Tenho a esperança de que os marqueteiros parem de correr, pular e cair nas mídias sociais e se concentrem em contar a “grande história” das suas marcas. Isso significa não falar tanto sobre seus produtos e serviços e desenvolver uma estratégia (e processo) para se tornar especialistas, produzindo conteúdo de referência para o seu nicho. Espero que percebam que a melhor forma de vencer nas mídias sociais é ter algo interessante a dizer.

Larissa Magrisso

Gerente de Conteúdo e Social
Media da W3haus
“Será impensável medir o sucesso de uma marca
de acordo com o número de likes num post”

Vemos dois movimentos ganhando força. O primeiro é o entendimento das principais redes sociais como mídia de massa na estratégia 360 de uma marca ou campanha (principalmente o Facebook, que busca cada vez mais concorrer com a verba de TV). O investimento fica cada vez mais focado em objetivos concretos, focados em alcance, impacto, geração de leads, relevância na busca, intenção de compra.

Nesse cenário, o risco de uma aproximação maior com a propaganda tradicional e de "mão única" deverá ser contornado pela segunda tendência: a criação de uma experiência singular, o estreitamento de laços, a conversa relevante e humana. Não é só aquela interação que pregamos desde o surgimento das redes sociais. A busca é por entender e entregar de fato o que é moeda social para cada pessoa que interage com a marca. E pelo conhecimento sobre cada fã ou seguidor, com cruzamentos poderosos em databases e ações que unem diferentes plataformas.

Em breve, será impensável medir o sucesso de uma marca nas redes de acordo com o número de likes em posts que nada têm a ver com seu objetivo de comunicação; rankings de marcas com o maior número de fãs devem perder o sentido. Caminhamos para métricas únicas, construídas com participação do cliente, que também analisem a conversa e entreguem resultados de verdade.

Leandro Hipólito

Monitoramento, Métricas e Análise de Mídias Sociais na hip – Hipólito Comunicação Digital
“Os movimentos sociais borrarão os limites
entre os mundos on-line e off-line”

As mídias sociais se tornarão lugar-comum para a integração da sociedade. São exemplos disso o levante popular para a derrubada em 2011 do então presidente do Egito, Hosni Mubarak, bem como seu uso para a eleição do presidente dos EUA Barack Obama em 2008, e mesmo as manifestações que ocorreram no Brasil em 2013. Com isso, também será mais trivial e, ao mesmo tempo, imprescindível compreender a repercussão e o funcionamento de cada movimento via mídias sociais (que cada vez são mais integradas, perdendo a distinção entre “on-line” e “off-line”), com monitoramento e análise, como o que já ocorre, mas ainda de forma tímida, para negócios e estudos sociológicos, antropológicos, econômicos e políticos, uma vez que afetam poderes e a sociedade como um todo.

Leslie Orsioli

Sócia e co-fundadora da
We Are Social Brasil
“Os adolescentes estarão conectados
em plataformas de nicho”

As tecnologias wireless NFC/RFID vão se tornar muito mais mainstream. Vamos observar que essa tecnologia servirá de base de muitas mais campanhas em social do que já é o caso atualmente.

Os adolescentes estarão mais concentrados nas plataformas de nicho em social media, aquelas que oferecem uma experiência privada, como Snapchat e Kik.

Além disso, a comercialização nas plataformas de social media, como Twitter, Pinterest e outras, oferecerá às marcas mais oportunidades comerciais.

Outra tendência será o social commerce. Há plataformas emergentes que estão fazendo do social commerce uma proposta mais real para as marcas. Um exemplo é a Stipple, que permite às marcas criar links clicáveis dentro de uma imagem. Isso permite que consumidores tenham mais informações e possam comprar o que veem, sem deixar a imagem. O Stipple funciona em Twitter e Facebook.

Luli Radfahrer

Professor doutor de Comunicação Digital da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP há 19 anos e colunista da Folha
“As métricas serão essenciais para uma
melhor inteligência de mercado”

As mídias sociais tendem a se tornar cada vez mais contextuais e físicas. Deverão começar a abranger mais áreas do que os meros websites da década passada. Smartphones e sensores distribuídos, associados a dados de geolocalização, ajudarão a gerar informações de contexto maiores e mais significativas do que aquelas a que temos acesso hoje. Mais do que "quando" um website é acessado, teremos pistas a respeito de "onde" e "como", o que ajudará a determinar, em um futuro próximo, o "porquê". Mais do que nunca, a análise de métricas será considerada informação estratégica, essencial para o desenvolvimento de uma melhor inteligência de mercado.

Marcel Ayres

Sócio da PaperCliQ Comunicação e Estratégia Digital e da SOMMAR Social Media Marketing
“O processo de internalização da operação nas
mídias sociais deve continuar e aumentar”

Em 2014, acredito que as principais tendências nas mídias sociais devem passar por quatro aspectos:

  • A consolidação do uso da imagem como formato de comunicação/interação, principalmente através dos vídeos que se tornam cada vez mais fáceis de produzir e compartilhar em rede.

  • O amadurecimento das técnicas e metodologias de monitoramento/métricas, que deixam de ser meros instrumentos reativos e quantitativos, e passam a ser ainda mais essenciais para a Business Intelligence das organizações, principalmente no mapeamento e “perfilização” de influenciadores em determinados nichos e em análises baseadas em grafos (SNA ou “Social Network Analytics”).

  • Acredito, também, num uso maior de aplicações baseadas em conteúdos sociais – integrados a diferentes mídias, como Facebook, Instagram, LinkedIn e etc. – como forma de atuação de muitas empresas que desejam se aproximar dos seus públicos de interesse sem, necessariamente, criar uma página, perfil e/ou canal.

  • Por fim, acredito que em 2014 o processo de internalização da operação nas mídias sociais por empresas e agências tradicionais (publicidade, assessorias, RP etc.) deve continuar e aumentar, o que não só amplia a concorrência no setor, mas também demanda das empresas digitais especializadas e SMM um maior diferencial para conquistar espaço e prestígio entre os players.

Marcelo Salgado

Gerente de redes sociais
no Bradesco
“O Facebook deve dominar a audiência, atacando
cada vez mais mídias tradicionais como a TV”

É um exercício de futurologia pensar no que vem por aí. E estou falando da semana que vem. Se pensarmos em 2014, então, vamos fatalmente errar em boa parte. Mas errar, a gente tem aprendido cada vez mais, faz parte do jogo e como a vida é beta, não custa nada analisar cenários. Algo que achamos que sabemos é que dificilmente grandes plataformas tomarão o lugar do Facebook. Embora, é bem verdade, o Facebook já esteja num platô aqui e fora, sem espaço para a mesma aceleração de tempos atrás. Mas a empresa de Mark Zuckerberg é inteligente e rápida demais para perder o bonde de maneira avassaladora como ocorreu com o Orkut.

Mesmo que percam usuários para plataformas de nicho ou outros concorrentes, vão dar um jeito de se adaptar, amalgamar ou comprar a empresa, ~porque podem.

Outro learning: plataformas de nicho têm encontrado dificuldades, principalmente no Brasil. Path, Circle, Vine e até o próprio Pinterest não demonstram fôlego para alcançar grandes números. Pelo menos até agora. Como disse, certamente vamos errar em alguma medida (alguns dirão “tomara”), mas podemos pensar num cenário em que Facebook domina a audiência, ataca cada vez mais as mídias tradicionais (principalmente TV) e se adapta com centenas de atualizações em sua programação e layout para se manter onipresente na vida das pessoas. E sobre as pessoas, que são a camada verdadeiramente de rede por sobre as plataformas, elas vão continuar se conectando cada vez mais, tornando as redes mais densas e o mundo cada vez menor. Este é um padrão de comportamento humano que encontrou tecnologia para se expandir, inexoravelmente.

Mariana Oliveira

Gerente de Data Intelligence
na Ogilvy Brasil
“O marketing em tempo real trará oportunidades
e ameaças para as marcas”

Entre as principais tendências para 2014, destaco três:

  • Amadurecimento das disciplinas de monitoramento e métricas: mineração e análise estratégica dos dados, além do cruzamento com outras fontes de informação (como mídia, CRM, off e etc), gerando insights de negócio para as marcas.

  • Real time marketing: as oportunidades e ameaças nas mídias sociais exigem cada vez mais velocidade, habilidade e espontaneidade das marcas no ambiente digital. Quanto mais aprendermos sobre consumo de conteúdo, jornada do consumidor e comportamento em rede, mais assertivas serão as presenças digitais das marcas que trabalhamos.

  • Desconfiar de tendências, futurólogos e gurus. Sempre.

Mariela Castro

Consultora em comunicação corporativa
e novas mídias
“As mídias sociais se apoiarão com ainda
mais força em imagens e vídeos”

Se pudéssemos resumir todas as tendências em mídias sociais em 2014, certamente o conceito So-Lo-Mo - a combinação de conteúdo “Social, Local, Mobile” - seria o mais adequado.

Mobile puxará tudo. Tudo. Até o final de 2013, serão vendidos mais de 184 milhões de tablets em todo o mundo – 53% mais do que em 2012. Os smartphones já respondem por mais da metade das vendas mundiais de celulares – algo em torno de 1 bilhão de unidades. Mais que nunca, conectividade e mobilidade são palavras de ordem.

O e-commerce, por exemplo, deverá ser muito mais focado em dispositivos móveis, pois as pessoas querem consumo local, sob medida e em tempo real, para satisfazer a uma necessidade imediata e específica. Sofisticados recursos de geolocalização, especialmente em aplicativos, serão cada vez mais demandados. Pequenos negócios terão a chance de se posicionar bem para atender a esse cliente local.

Responsive design ganhará força e websites deverão ser otimizados para as três telas: desktop/laptop, tablet e celular, permitindo ao usuário navegar com conforto independentemente do dispositivo que usar. A febre dos apps vai aumentar, com soluções voltadas à praticidade, ao entretenimento e à rapidez.

As mídias sociais se apoiarão com ainda mais força em imagens e vídeos, e as marcas passarão a usar mais plataformas de mídias sociais para mesclar o lúdico e a publicidade, a informação e a oferta do produto certo na hora certa. Novos recursos de microtargeting ajudarão a identificar perfis de usuários e a tendência de compartilhar com amigos permanecerá, pois a sensação de “estar perto mesmo estando longe” encanta. O que plataformas como Facebook e Instagram precisam ter em mente é que as novas gerações – e, portanto, futuros usuários – terão novas demandas por rapidez, estímulos e possibilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo num só lugar.

Estarão em alta profissionais com um perfil eclético, com habilidade de combinar comunicação, tecnologia, design thinking voltado para a experiência do usuário e, principalmente, que tenham uma visão capaz de integrar experiências no mundo físico com informações, apelos e facilidades do mundo digital.

Paulo Henrique Lemos

Gerente de Inbound Marketing
da agência RMA Comunicação.
“As empresas B2B buscarão resultados
com real impacto em seus negócios”

Responda rápido: vale a pena investir na construção de uma grande base de fãs só para ver seu conteúdo original alcançando menos de um terço dela? E ter que paparicar blogueiros mimados em troca de migalhas de atenção? Pois é. Uma combinação daninha de deslumbramento e desconhecimento fez com que muitas marcas abandonassem seus ambientes próprios para perseguir miragens como 'alcance' e 'engajamento' no Facebook e no Twitter.

Em 2014, essa ficha vai começar a cair, com as empresas mais espertas - em especial as de atuação B2B - se mexendo para diminuir a dependência de intermediários na comunicação e no relacionamento com seus públicos, e correr atrás de resultados que tenham impacto real sobre o negócio. Porque é hora de começar a pensar menos em audiência e mais em conversão.

Pedro Ivo Resende

Sócio-fundador e diretor
executivo da Riot
“O Brasil será palco de um enorme movimento
digital na Copa de 2014”

Vejo sete tendências para o ano ano que vem. Vou citá-las a seguir:

  • Motivações sociais: o usuário passa a se interessar mais por aquelas marcas que ajudam o coletivo a viver de maneira melhor e mais responsável. Produtos e serviços são importantes. Mas nossa vida vai além. Sejam pequenas iniciativas como a plantação de árvores, passando pelo fornecimento de rede wi-fi num parque público e chegando ao auxílio a uma reforma numa comunidade carente. Todas essas iniciativas podem nascer através da tecnologia: como o estímulo de compartilhamentos para se atingir uma meta ou bicicletas de uma praça sendo desbloqueadas com um aplicativo mobile.

  • Mobile payment regularizado: a medida provisória 615, que regulariza as transações econômicas via celular no Brasil, passou em setembro pela Câmara e já está no Senado. Sua aprovação é o último passo para o crescimento dos pagamentos via celular no país.

  • Vídeos e imagens: a grande dupla do conteúdo gerado por marcas e usuários ganha ainda mais destaque. O ano de 2013 marcou a consolidação de conteúdo mais dinâmico produzido por marcas e usuários. Aplicativos que atingiram o seu ápice no ano que passou comprovam a tendência: Instagram e Vine são alguns exemplos. O fato de o brasileiro ser o maior consumidor de vídeos em todo mundo também ajuda na hora de produzir material interessante e relevante para as marcas. O conteúdo ainda continua sendo o rei de uma boa atuação em canais sociais, mas ele tem se atualizado.

  • Copa do Mundo no Brasil: a maior movimentação social de todos os tempos está prestes a acontecer. No próximo ano, teremos, muito provavelmente, o maior volume de interações sociais e conteúdo gerado pelo usuário num curto espaço de tempo na história: na Copa de 2014, em que o Brasil será protagonista. A pluralidade da conexão, o acesso em todos os locais e a facilidade de compartilhamento farão com o que o nosso país seja o foco de um enorme movimento digital em todo o mundo. Cabe às marcas preparar algo especial.

  • O usuário como agente de mudança: se alguém não faz, o próprio usuário bota a mão na massa. Hoje está mais fácil do que nunca produzir, lançar e divulgar algo que você mesmo pensou e montou. A tecnologia está acessível e os usuários estão com mais conhecimento para tal. Com isso, todos passam a ter as ferramentas disponíveis para transformar sua cidade e seu dia a dia: um aplicativo colaborativo que organiza, lista e indica quais ônibus passam em tal lugar e para onde eles vão. Ou então, um guia colaborativo de banheiros públicos de uma grande cidade.

  • Startups: a partir deste conhecimento da tecnologia e das possibilidades de envolvimento, startups estão se proliferando tanto no Brasil quanto no mundo. Inovações, soluções e ferramentas estão sendo pensadas, esperando pelo envolvimento de um investidor – que podem ser marcas. O ano de 2014 tem tudo para apresentar centenas dessas novas ideias aguardando por um suporte midiático e financeiro.

  • Governo digital: algo que já acontece fora do país está nascendo no Brasil. Com o fôlego das manifestações, abastecidas via ferramentas sociais, o governo tende a se digitalizar ainda mais. Estar presente onde o povo se organiza é papel fundamental para os governantes. A presidenta Dilma Rousseff já voltou ao Twitter. É o primeiro passo para outros ainda maiores que, quem sabe, podem chegar a níveis semelhantes aos da Suécia, tendo uma constituição colaborativa.

Philippe Guimarães Gava

Community Manager na
agência Pong Dynasty
“As empresas terão de entender que redes
sociais não se limitam ao Facebook”

Não sou de fazer profecias, mas acredito que em 2014 as empresas estarão mais conscientes do seu propósito nas redes sociais e começarão a dar mais atenção ao relacionamento, esquecendo um pouco esse papo de número de fãs. Também espero que outras redes sociais ganhem força e que os clientes entendam que redes socias não se limitam ao Facebook.

Rafael Sbarai

É editor de mídia social de VEJA, pesquisador e professor da pós-graduação de Jornalismo Esportivo e Jornalismo Multimídia da FAAP.
“O ano novo poderá ficar marcado pelo uso artificial
das redes sociais no universo político”

O ano de 2014 será marcado por fortes pressões no Twitter, que ingressa no mercado financeiro, e por um período de tomada de decisões sobre o futuro - e importância - do Google+. No Brasil, infelizmente, temo que o ano seja marcado pelo uso artificial da rede no universo político, que pode passar a impressão de que existe uma multidão a animar uma causa, quando na realidade é bem menor o número de pessoas protestando ou elogiando alguém.

Renata Alves

Gerente de Produto GEXP (Gestão da Experiência do Cliente) na Algar Tecnologia
“Além de monitorar, o futuro demandará o
atendimento dos consumidores nas mídias sociais”

No ano em que o Brasil estará no centro das atenções mundiais, todos os temas relacionados a mídias sociais continuarão em alta, com destaque para o monitoramento do que as pessoas estão pensando, compartilhando ou sentindo. Com o avanço da banda larga no Brasil e a população cada vez mais conectada, o entendimento desse novo consumidor da era digital e social deverá fazer parte das empresas que desejam antecipar estratégias na rede ou fora dela.

Para as empresas que buscam a excelência no relacionamento com seus consumidores, além de monitorar, o futuro também demanda o atendimento desse consumidor. Para isso, é essencial buscar parceiros com tecnologia, experiência, visão multicanal e equipe especializada para diagnósticos e análises.

Renato Dias

Sócio-diretor d'A Viagem de Odiseo, presidente do comitê de mídias sociais do IAB e professor de redes sociais na pós-graduação da ESPM
“O analista de mídias sociais será substituído
por especialistas de diferentes áreas”

Acredito que em 2014 iremos observar um amadurecimento bastante amplo no uso das mídias sociais no Brasil. Destaco apenas quatro pontos:

  • Estratégias mais sociais e especialização: se, de um lado, agências e clientes vão seguir incorporando competências dessa disciplina, tornando suas estratégias cada vez mais sociais, por outro, vamos encontrar profissionais mais especializados. A figura do “analista de mídias sociais” será aos poucos substituída por especialistas em sub-áreas como social ads, community management, produção de conteúdo, programação e atendimento 2.0.

  • Intensificação da mídia paga: veremos um crescimento ainda maior no uso das redes sociais como canal de mídia paga. Os anunciantes irão buscar resultados além do like. Esse movimento será provocado pela presença de equipes das principais redes sociais no Brasil e pelo melhor conhecimento da alta capacidade de segmentação das redes.

  • Second Screen: agências tradicionais vão realizar campanhas mais integradas, estimulando a interação via canais sociais em real time. O uso de hashtags em comerciais de TV será intensificado, seguindo a tendência do que ocorreu nos EUA em 2013. Facebook e Twitter vão disputar o posto de rede mais popular para esse tipo de interação, visando capturar o investimento dos grandes anunciantes.

  • Além do marketing: cada vez mais, outras áreas da empresa vão passar a usar as mídias sociais em seu benefício. Entre elas, destaco o departamento de Recursos Humanos, que já vem realizando estratégias de Social Recruiting e desenvolvendo plataformas de colaboração internas, aumentando o engajamento e produtividade de funcionários. Uma empresa não-conectada não será competitiva em um mercado hiperconectado.

Ricardo Canto Moreira Leite

Especialista na Telefónica
Digital
“A 'gamificação' será usada em maior escala
como plataforma de relacionamento”

Vejo que, para 2014, o grande desafio das mídias sociais será a possibilidade de realizar ações end-to-end, ou seja, realizar toda a plataforma de comunicação, relacionamento, venda e atendimento através de um canal, seja no Facebook, Twitter ou em qualquer outro novo canal. O desafio de consolidar todo o ciclo de vida do cliente em plataformas sociais pode transformar a maneira como atuamos nesse mercado. Além disso, arrisco dizer que será o ano em que a “gamificação” começará a ser usada em maior escala como plataforma de relacionamento com os clientes.

Rodrigo Lara Mesquita

Jornalista, Diretor Geral da
Sagres e herdeiro do Estadão
“A tecnologia vai dar vazão às necessidades de uma
sociedade muito mais complexa e fragmentada”

Considerando que nos próximos 10 anos a tecnologia estará integrada nos ambientes e em cada um de nós - não será mais algo que você liga e desliga - e que isso mudará totalmente a experiência humana de viver, vejo os avanços das plataformas de atuação na rede como a principal tendência em 2014.

Monitoramento, curadoria e agregação, articulação e governança são os processos provocados na sociedade pela linguagem, pela informação. Da linguagem oral à eletrônica, que promete, se não o retorno, a valorização da cultura oral. Mídias sociais como Twitter, Google+, Facebook, LinkedIn, Pinterest, Tumblr, YouTube, Paper.li, Rebelmouse, Instagram, Scoop.it, Flipboard, Meddle e etc são plataformas pontuais, ferramentas, mídias.

Num mundo que a cada dia ganha maiores índices de complexidade e fragmentação, atuar de forma isolada com uma ou outra destas mídias é inócuo. Indivíduos, profissionais e empresas que atuam com propriedade e objetividade no novo ecossistema da informação vêm avançando na construção de suas plataformas com o conjunto de ferramentas que lhes parecem mais apropriadas para seus objetivos.

Rede social existe desde a idade da pedra. É a base de relacionamento de indivíduos, de entidades, de empresas, de setores da economia, de partidos políticos, de sindicatos, de qualquer organização humana. No mundo digital, na economia social, esta base de relacionamento tem que ser organizada na rede para lhe dar mais organicidade e objetividade. Consolida-se aí o conceito de plataforma (e viabilizam-se as redes sociais, as redes de interesse específico), que requer ainda processos de monitoramento (Big Data) e a inter-relação com landing pages apropriadas para fazer andar o processo de comunicação e articulação frente a um ou uma gama de objetivos. Além, é claro, de uma boa integração com as mídias tradicionais, pois há e haverá por um bom tempo uma forte interdependência entre os dois mundos, que são um só.

A tendência tecnológica é reforçada pela demanda da sociedade. A tecnologia, suas ferramentas e processos vão contribuir para dar vazão às necessidades de uma sociedade muito mais complexa e fragmentada que foi regida pelas tecnologias da era industrial. Esta percepção já é latente na sociedade contemporânea atônita com o contexto e surpreendida pelos novos processos da informação, comunicação e articulação num mundo em profunda transformação. Neste cenário, o do avanço das plataformas de atuação, estão contidos também o cloud, a mobilidade e o analytics.

Twitter Blog

Sandra Turchi

Sócia-diretora na Digitalents
“O relacionamento entre marcas e consumidores
vai ficar mais forte”

Os públicos estão cada vez mais conectados nas mais diversas mídias sociais. Por isso, há dois importantes caminhos.

O primeiro é a publicidade on-line, ou seja, usar a segmentação que esses canais proporcionam para a veiculação de anúncios direcionados ao público-alvo da marca. O segundo é o atendimento ao cliente, já que as mídias sociais são um ótimo canal para isso e, cada vez mais, as empresas estão se adequando e criando estruturas para que esse atendimento aconteça de maneira eficiente.

Em resumo, posso dizer que a tendência para 2014 é o fortalecimento do que já vem ocorrendo há tempos: relacionamento entre marcas e consumidores.

Sérgio Boeck Lüdtke

Diretor de Interatores.com e coordenador do Programa Avançado em Jornalismo Digital do Instituto Internacional de Ciências Sociais
“Nossos perfis em rede sociais funcionarão
como uma identidade digital”

Acredito muito na convergência de duas tendências que trarão ainda mais relevância para as mídias sociais no nosso cotidiano: o aumento considerável no uso de plataformas móveis como meio principal ou único de acesso às redes e uma evolução no uso dos perfis em redes sociais como identidade digital.

A concorrência dessas duas tendências determina, a meu ver, um incremento considerável na captação de conteúdos - principalmente de fotos e vídeos, aos quais serão associados dados apurados pelo dispositivo e compartilhados via redes sociais - e o uso crescente do dispositivo como plataforma de validação da identidade digital, como um passaporte.

Para além de 2014, essa associação de mais conteúdos com a validação da nossa identidade agregará aos nossos perfis uma quantidade gigantesca de dados, registros que, devidamente mapeados, escreverão automaticamente e em detalhes a nossa biografia.

Tarcízio Silva

Coordenador de BI / Consultor
na CUBOCC / 7Bridges
“A apresentação de dados das mídias sociais através
de dashboards inteligentes será uma realidade”

Em 2014, acontecerá a intensificação de projetos de compreensão, segmentação e “perfilização” dos públicos em mídias sociais. Hoje, as grandes empresas já possuem bases de dezenas de milhões de usuários, mas as conhecem em pouca profundidade. A mistura de métodos quantitativos e qualitativos é necessária, promissora e já traz resultados para quem experimenta inovar. O valor de 10 milhões de pessoas conectadas não deve ser medido apenas em potencial de alcance, mas também em potencial de dados, cruzamentos de informações e análises.

Sobre métricas, a automatização de processos e apresentação dos dados através de dashboards inteligentes será um imperativo. É necessário cada vez mais diminuir as horas-pessoa de trabalho mecânico e repetitivo nos projetos de monitoramento e mensuração, deixando a crescente massa de especialistas na área focados realmente na interpretação, análise dos dados e recomendações acionáveis.

Falando de plataformas, já estamos vendo internacionalmente um ressurgimento forte da atenção ao Twitter. Espero que as agências brasileiras corrijam já o erro de terem abandonado parcialmente as ações de conteúdo e engajamento no Twitter. A abertura do IPO, o investimento do Twitter na parceria de dados com desenvolvedores brasileiros, o fenômeno das segundas (e terceiras) telas e a (espero) crescente maturidade do mercado podem ajudar a corrigir esse equívoco. Espero também a criação e manutenção inteligente de plataformas proprietárias de conteúdo (como blogs) para diminuir a dependência em plataformas totalizadoras como o Facebook.

Tânia d’Ávila

Analista de Marketing
na Digitalents
“Os canais de atendimento off-line
e on-line serão mais integrados”

As redes sociais têm sido os canais mais usados para que públicos tenham acesso às informações das marcas, podendo interagir com elas de igual para igual. Muitas marcas estão sabendo se aproveitar disso, criando bons cases nas redes sociais e, consequentemente, conquistando fãs e seguidores.

Porém, não raro, vemos os consumidores se decepcionarem quando o atendimento migra da esfera on-line para a off-line. Isso, porque, infelizmente ainda há muitas marcas que possuem um posicionamento nas redes sociais e outro posicionamento, menos receptivo, no mundo “real”. Por outro lado, muitas empresas já estão percebendo o impacto negativo que essa atitude traz, entendendo que a marca é uma só - ela deve ter as mesmas atitudes independentemente do ambiente onde está se relacionando com seu público. Por isso, acredito que a tendência, em curto prazo, seja a integração cada vez maior entre os canais off-line e on-line.

Vicente Tardin

Consultor de conteúdo e editor
do site Webinsider.com.br
“As mídias sociais serão inundadas por
dossiês e acusações eleitoreiras”

Como todo mundo sabe, qualquer empreendimento, do pequeno ao gigante, deve dedicar recursos para as redes sociais, seja para monitoramento, atendimento, branding ou relacionamento, até mesmo vendas.

Mas talvez surja um fato novo envolvendo as mídias sociais: com as eleições, veremos muito acirramento de ânimos, dossiês e acusações de parte a parte espirrando para as timelines de todos, por conta da militância paga pelos principais partidos.

Quem sabe a batalha feia e tão exposta de alguma forma amadureça a percepção de que é preciso acontecer uma reforma política, sem a qual não será possível melhorar a qualidade de nossos prefeitos, vereadores, deputados e senadores.

E substituir a mentalidade atual por outra mais responsável e construtiva, porque já passou da hora. E olha que não sou um cara ligado em política.

Virginia Westphalen Moreira

BI na Wieden+Kennedy
“Os profissionais que trabalham com mídias
sociais serão mais capacitados”

Acredito que, no curto prazo, veremos principalmente uma evolução na capacitação dos profissionais que trabalham com mídias sociais. Essa é uma demanda natural do mercado, tendo em vista a crescente importância de entendermos o comportamento do consumidor dentro das redes, para então podermos criar conteúdos relevantes que estimulem o relacionamento entre consumidor e marca, além de otimizar o uso da publicidade. Acredito que esse cenário também estimulará melhorias nas ferramentas de monitoramento e o desenvolvimento de métricas cada vez mais apuradas que ajudem a atingir esse entendimento do consumo.

É clara a relevância do conteúdo no engajamento do consumidor. Agora, fica a responsabilidade de entender o que é de fato relevante para cada perfil. Na era do Big Data, temos muitas fontes de informação e métricas diferentes, logicamente importantes. Mas não podemos esquecer que, por trás desses vários números, há pessoas, com comportamentos, sentimentos e opiniões distintas e sempre mudando. Quando conseguimos unir esses dois conhecimentos, de métricas e humano, realmente será possível extrair aprendizados interessantes.

Conheça o Scup e descubra todo o poder da ferramenta
Realização: Claudia Gasparini, Eliseu Barreira Junior, Lucas Moschione, Thayane Veiga (comunicação e conteúdo) e Wesley de Souza (tecnologia).